Caderno Pedagógico do Espetáculo
A Jornada de Abiã com Oxum
SUMÁRIO
Prólogo
Apresentação
Referenciais Teóricos do Caderno
Possibilidades de Trabalho Interdisciplinar
Campos de Diálogo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Por que levar as crianças para assistir a A Jornada de Abiã com Oxum?
1. Sobre o Espetáculo
1.1 Ficha Técnica
1.2 Sinopse
1.3 Público-Alvo
1.4 Duração
1.5 Linguagem
2. Antes e Depois da Travessia
2.1 O que é um Abiã?
2.2 Quem é Oxum?
3. Águas que Contam Histórias
3.1 A Nascente: Onde Tudo Começa
3.2 Os Afluentes: Os Encontros que Nos Transformam
3.3 O Percurso: Aprender é Estar em Movimento
3.4 O Encontro com o Mar: Compartilhar Saberes
4. A Cena como Espaço de Memória
5. O Corpo como Lugar de Conhecimento
6. Lei nº 10.639/03
7. Antes do Espetáculo
8. Durante o Espetáculo
9. Após o Espetáculo
10. Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
11. Para Saber Mais
PRÓLOGO
Este material foi elaborado para apoiar educadores antes, durante e após a experiência com o espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum. As propostas apresentadas não precisam ser realizadas em sequência nem em sua totalidade. Cada escola poderá selecionar os percursos que melhor dialoguem com sua realidade, faixa etária e projeto pedagógico. O objetivo é ampliar os diálogos iniciados pela obra, estimulando processos de imaginação, escuta, criação artística, valorização da diversidade cultural e educação antirracista.
Mais do que apresentar informações sobre a montagem, este material busca oferecer subsídios para que professoras, professores, educadoras e educadores possam ampliar os diálogos iniciados pelo espetáculo em sala de aula, promovendo reflexões sobre ancestralidade, identidade, memória, pertencimento, educação antirracista, cultura afro-brasileira e preservação das águas.
Inspirado na mitologia de Oxum, orixá das águas doces, o espetáculo propõe uma experiência estética construída por meio da dança, da musicalidade, da oralidade e da corporeidade negra, convidando crianças e adultos a refletirem sobre diferentes formas de compreender o mundo.
APRESENTAÇÃO
O espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum, criação do Coletivo Emaranhado, nasce do encontro entre arte, educação, ancestralidade e cultura negro-brasileira. Voltado para crianças de 7 a 12 anos, o trabalho propõe uma experiência estética construída por meio da dança afro-brasileira, da dança contemporânea, da musicalidade, da oralidade e das narrativas afrorreferenciadas, convidando o público a dialogar com memórias, saberes e modos de existência que constituem parte fundamental da formação cultural brasileira.
Este caderno pedagógico foi elaborado com o objetivo de ampliar os diálogos iniciados pelo espetáculo, oferecendo subsídios para professoras, professores, educadoras, educadores e mediadores culturais desenvolverem atividades antes e depois da experiência artística. Mais do que um material de apoio, trata-se de um convite à construção de práticas pedagógicas comprometidas com a valorização da diversidade cultural, com a educação antirracista e com a implementação da Lei nº 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas brasileiras.
A narrativa do espetáculo acompanha Abiãs, personagens inspirados nos processos de descoberta, aprendizagem e construção de pertencimento presentes nas tradições afro-brasileiras. Na linguagem dos terreiros de candomblé, abiã é aquele ou aquela que inicia sua caminhada, aproximando-se dos ensinamentos da comunidade e aprendendo a escutar os saberes que circulam entre os mais velhos, a natureza, os rituais e a coletividade. Na obra, essa figura torna-se metáfora da própria infância: tempo de perguntas, descobertas, imaginação e formação.
Ao longo da jornada, os Abiãs encontram Oxum, orixá das águas doces nas tradições yorùbá. Senhora dos rios, das cachoeiras, do cuidado, da fertilidade, da beleza e da prosperidade, Oxum aparece na dramaturgia como força que acolhe, ensina e transforma. Sua presença permite refletir sobre o valor das águas, sobre a importância das mulheres negras na construção da sociedade brasileira e sobre as memórias que atravessam gerações e permanecem vivas nas práticas culturais afro-brasileiras.
O espetáculo não possui caráter religioso ou catequético. Sua abordagem situa-se no campo artístico, cultural e educativo. O interesse da obra está em possibilitar o contato das crianças com patrimônios culturais historicamente invisibilizados pelos processos coloniais, reconhecendo as contribuições africanas e afro-brasileiras para a formação da identidade nacional.
A construção dramatúrgica, coreográfica e cenográfica da obra fundamenta-se na compreensão de que os conhecimentos não são produzidos apenas por livros ou instituições formais. Os corpos, as músicas, as danças, os objetos, os rios, as memórias e as experiências comunitárias também constituem formas legítimas de produção e transmissão de saberes. Nesse sentido, o espetáculo aproxima-se das reflexões desenvolvidas por Amadou Hampâté Bâ (2010), quando afirma que, em muitas sociedades africanas, a tradição oral constitui uma verdadeira biblioteca viva, preservada e transmitida pelas pessoas e suas experiências.
A proposta também dialoga com reflexões desenvolvidas por Eduardo Oliveira (2007), para quem a ancestralidade constitui uma categoria filosófica capaz de organizar modos de compreender o mundo, as relações humanas e os processos educativos. Nessa perspectiva, aprender não significa apenas acumular informações, mas construir vínculos com aqueles que vieram antes de nós, reconhecendo os conhecimentos produzidos por diferentes povos e culturas.
Da mesma forma, o espetáculo aproxima-se das reflexões de Tiganá Santana (2019), ao compreender os saberes africanos e afrodiaspóricos como processos dinâmicos, plurais e relacionais. Os conhecimentos não surgem isoladamente; constituem-se a partir de encontros, atravessamentos, deslocamentos e permanências. São saberes em movimento.
A proposta pedagógica dialoga também com as reflexões desenvolvidas por Souza e Silva (2022), especialmente no que se refere à compreensão do corpo negro como território de memória, conhecimento e produção de sentidos. Ao pensar as filosofias africanas por meio da metáfora do rio, o autor sugere que o conhecimento pode ser compreendido como fluxo. Assim como um rio não nasce exclusivamente em sua nascente, mas resulta da interação entre chuvas, lençóis subterrâneos, afluentes, ventos, solos e paisagens, os saberes também emergem de múltiplas relações históricas, culturais e ancestrais. As águas de um rio estão sempre em movimento, transformando-se sem deixar de ser rio. Do mesmo modo, as culturas afro-brasileiras preservam memórias ancestrais ao mesmo tempo em que criam novas formas de existir e produzir conhecimento.
Essa imagem das águas atravessa toda a dramaturgia de A Jornada de Abiã com Oxum. Os rios presentes na obra não são apenas elementos da paisagem. São arquivos de memórias, caminhos de encontro, espaços de aprendizagem e símbolos da continuidade da vida. Ao acompanhar a trajetória de Abiãs, as crianças são convidadas a refletir sobre cuidado, pertencimento, coletividade, imaginação, respeito à natureza e valorização das diferenças.
A experiência estética proposta pelo espetáculo também compreende a arte como espaço de produção de conhecimento. Nesse sentido, aproxima-se das reflexões de Zeca Ligiéro (2011), que identifica nas manifestações afrodiaspóricas a potência da tríade cantar-dançar-batucar. Mais do que ações independentes, essas práticas constituem formas integradas de produção de memória, transmissão de saberes e fortalecimento comunitário. No espetáculo, essa tríade aparece como fundamento da dramaturgia, da musicalidade, da composição coreográfica e das relações construídas entre artistas e público.
Ao assistir ao espetáculo, as crianças não recebem respostas prontas. São convidadas a formular perguntas. Como aprendemos? O que herdamos daqueles que vieram antes de nós? Como cuidamos das águas? O que significa pertencer a uma comunidade? Como as culturas afro-brasileiras ajudam a compreender quem somos? Que histórias ainda precisam ser contadas?
Este caderno pedagógico nasce justamente para prolongar essas perguntas. Esperamos que ele contribua para a construção de práticas educativas capazes de ampliar repertórios culturais, fortalecer processos de educação antirracista e promover encontros sensíveis entre arte, infância e ancestralidade.
Que as águas de Oxum possam continuar correndo pelas salas de aula, alimentando novos diálogos, novas aprendizagens e novas formas de imaginar o mundo.
Referenciais Teóricos do Caderno
Este caderno pedagógico dialoga com contribuições de Amadou Hampâté Bâ (2010), Eduardo Oliveira (2007), Aline Matos da Rocha (2023), Anderson Rodrigues Teixeira (2018), Maicom Souza e Silva (2022), Monique Augras (2008), Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí (2021), Tiganá Santana (2019), Leda Maria Martins (2021) e Zeca Ligiéro (2011), cujas produções contribuem para a compreensão das culturas afro-brasileiras, das filosofias africanas, da ancestralidade, das corporeidades negras e dos processos educativos afrorreferenciados.
Possibilidades de Trabalho Interdisciplinar
Campos de diálogo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC):
As atividades propostas neste caderno dialogam com competências e habilidades previstas na BNCC para os anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente nos componentes curriculares de Artes, História, Geografia, Ciências, Língua Portuguesa, Educação Física e Ensino Religioso (perspectiva não confessional), fortalecendo práticas pedagógicas interdisciplinares alinhadas à Lei nº 10.639/03 e às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
POR QUE LEVAR AS CRIANÇAS PARA ASSISTIR A JORNADA DE ABIÃ COM OXUM?
A experiência estética constitui uma das formas mais potentes de aprendizagem. Antes de ser um conteúdo escolar, a arte é uma forma de construir relações com o mundo, com o outro e consigo mesmo. Ao entrar em contato com um espetáculo de dança, a criança não apenas observa movimentos, personagens ou cenários; ela produz sentidos, formula perguntas, estabelece relações e amplia seu repertório cultural.
Nesse contexto, o espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum, do Coletivo Emaranhado, foi concebido como uma experiência artística e educativa fundamentada na valorização das culturas afro-brasileiras, dialogando diretamente com os princípios da Lei nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira na educação básica.
A montagem toma como eixo narrativo a trajetória de Abiãs, personagens inspirados nos processos de aprendizado presentes nas tradições afro-brasileiras. Ao longo da obra, a criança é convidada a acompanhar uma jornada de descobertas mediada por Oxum, orixá das águas doces nas tradições yorùbá, associada ao cuidado, à fertilidade, à prosperidade, à beleza e ao conhecimento.
Contudo, o espetáculo não busca ensinar conteúdos religiosos. Sua proposta está situada no campo artístico, cultural e educacional. O interesse da obra está na possibilidade de aproximar o público infantil de patrimônios culturais que contribuíram profundamente para a formação da sociedade brasileira e que, historicamente, foram invisibilizados pelos processos coloniais.
Nesse sentido, a obra compreende a arte como espaço de produção de conhecimento. Muitas manifestações afrodiaspóricas estruturam-se a partir da tríade cantar-dançar-batucar, um conjunto inseparável de práticas que articulam corpo, musicalidade, memória e coletividade. Em A Jornada de Abiã com Oxum, essa tríade aparece como fundamento da dramaturgia, da composição coreográfica e das relações construídas entre intérpretes e público.
Os saberes não emergem de uma única fonte, mas resultam de múltiplos atravessamentos históricos, culturais e ancestrais. Assim como um rio é constituído pela interação de inúmeras águas, os conhecimentos humanos são construídos por diferentes experiências, trajetórias e memórias coletivas.
A presença das águas doces de Oxum na dramaturgia não representa apenas um elemento visual ou narrativo. As águas aparecem como metáfora para os processos de transformação, cuidado, escuta e continuidade da vida. São águas que guardam memórias, transportam histórias e conectam diferentes tempos e gerações.
Ao assistir ao espetáculo, as crianças são convidadas a perceber que existem diversas formas de compreender o mundo. Aprendem que os rios possuem histórias, que os objetos carregam memórias, que os corpos produzem conhecimentos e que as culturas afro-brasileiras constituem parte fundamental da construção da identidade nacional.
Mais do que apresentar respostas prontas, a obra busca cultivar perguntas. Como aprendemos? O que herdamos daqueles que vieram antes de nós? Como cuidamos das águas? Como construímos relações de respeito com as diferenças? Que histórias ainda não conhecemos?
São essas perguntas que acompanham a jornada de Abiã e que podem continuar ecoando muito depois do encerramento do espetáculo.
1. SOBRE O ESPETÁCULO
1.1 Ficha Técnica
Direção e Produção
Direção de Produção: Maicom Souza
Direção Artística: Ricardo Reis
Produtora Executiva: Lais Loyola
Equipe Artística
Direção Musical e Trilha Sonora: Karolina Fontes
Coreografia: Ricardo Reis
Preparadora Corporal: Gabriela Moriondo
Ensaiador: Ricardo Reis
Figurinista: Naná Muriel
Cenógrafa: Ricardo Reis e equipe
Identidade visual: Nina Almeida
Elenco
Bailarina: Jaciara Bernardino Nascimento
Bailarina: Amanda Luzia de Oliveira
Bailarino: Ricardo Reis
Bailarino: Maicom Souza
1.2 Sinopse
Em sua jornada de descobertas, os Abiãs encontram Oxum, orixá das águas doces, e aprendem sobre ancestralidade, cuidado, pertencimento e transformação. Por meio da dança negro-brasileira, da musicalidade e de narrativas afrorreferenciadas, o espetáculo convida crianças e famílias a dialogarem com as memórias, os saberes e as riquezas das culturas afro-brasileiras, celebrando as águas como território de vida, imaginação e continuidade ancestral.
1.3 Público-Alvo
Crianças de 7 a 12 anos.
1.4 Duração
35 minutos.
1.5 Linguagem
Dança afro-brasileira, dança contemporânea, teatro físico e musicalidade percussiva.
2. Antes e Depois da Travessia
O espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum propõe uma travessia por memórias, águas, histórias e saberes afro-brasileiros. Para ampliar essa experiência, esta seção apresenta sugestões de perguntas, exercícios, rodas de conversa, atividades artísticas e propostas de reflexão que podem ser desenvolvidas em diferentes momentos do processo pedagógico. Algumas delas foram pensadas para despertar a curiosidade antes da apresentação; outras para acolher as percepções e aprendizagens construídas após o encontro com a obra. Mais do que respostas prontas, o objetivo é incentivar o diálogo, a escuta e a construção coletiva de conhecimentos.
2.1 O QUE É UM ABIÃ?
Uma das primeiras questões que costumam surgir após o espetáculo é o significado da palavra “abiã”.
Nos terreiros de candomblé, abiã é a pessoa que inicia seu processo de aproximação com a comunidade religiosa, conhecendo seus ensinamentos, valores e formas de convivência coletiva. No espetáculo, Abiã aparece como personagem simbólica. Não representa apenas uma pessoa específica. Representa toda criança que está aprendendo. Toda pessoa que descobre algo novo. Todo sujeito que inicia uma jornada de conhecimento. Nesse sentido, Abiã simboliza curiosidade, escuta e transformação.
Questões para sala
O que vocês estão aprendendo neste momento da vida?
Existe algo que vocês gostariam de conhecer melhor?
2.2 QUEM É OXUM?
Texto de apoio para educadores
Por que Oxum? Infância, Cuidado e Comunidade nas Culturas Afro-Brasileiras
Ao entrar em contato com o título A Jornada de Abiã com Oxum, é comum que educadores se perguntem por que a obra escolhe Oxum como eixo central de sua narrativa. A resposta não está vinculada à transmissão de práticas religiosas ou à promoção de crenças específicas. A escolha de Oxum relaciona-se ao conjunto de valores culturais, filosóficos e civilizatórios que essa referência reúne e que dialogam diretamente com os objetivos pedagógicos do espetáculo.
Nas culturas afro-brasileiras, Oxum está associada à proteção da vida, à sensibilidade e à construção das relações comunitárias. Esses elementos permitem aproximar as crianças de reflexões fundamentais sobre convivência, pertencimento, memória, respeito à diversidade e valorização das diferentes matrizes culturais que constituem a sociedade brasileira.
A pesquisadora Aline Matos da Rocha, ao dialogar com a filósofa nigeriana Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí, demonstra que importantes tradições africanas compreendem a vida social a partir das relações de interdependência, cuidado coletivo e responsabilidade comunitária. Nessa percepção, o conhecimento não é entendido como um bem individual, mas como algo produzido e compartilhado entre diferentes gerações. A comunidade torna-se um espaço de aprendizagem contínua, no qual crianças, jovens, adultos e idosos participam ativamente da construção da vida coletiva.
É nesse contexto que a presença de Oxum se torna significativa para o espetáculo. Mais do que uma personagem ou figura mitológica, Oxum aparece como uma referência simbólica capaz de mobilizar discussões sobre acolhimento, escuta, proteção da infância, transmissão de saberes e valorização das memórias coletivas. Sua relação com as águas doces permite ainda estabelecer conexões com temas contemporâneos ligados à preservação ambiental, à sustentabilidade e ao reconhecimento da água como elemento fundamental para a existência humana.
A escolha de Oxum também contribui para ampliar os repertórios culturais das crianças. Durante muito tempo, as contribuições africanas para a formação do Brasil foram apresentadas de maneira reduzida ou limitadas ao contexto da escravidão. Ao trazer para a cena uma referência oriunda das filosofias e cosmopercepções africanas e afro-brasileiras, o espetáculo busca evidenciar que essas tradições também produziram conhecimentos sobre educação, organização social, ética, arte, cuidado e convivência.
Nesse sentido, a obra propõe um encontro com formas de conhecimento que historicamente participaram da construção da cultura brasileira, mas que nem sempre ocupam lugar de destaque nos currículos escolares. A presença de Oxum permite que crianças e educadores dialoguem com outras maneiras de compreender a infância, a comunidade e os processos de aprendizagem.
Ao acompanhar a trajetória dos Abiãs, o público é convidado a perceber que aprender não significa apenas acumular informações. Aprender também envolve observar, ouvir, compartilhar experiências, cuidar dos outros e reconhecer-se como parte de uma comunidade. São princípios que atravessam a dramaturgia do espetáculo e que encontram, na figura de Oxum, uma potente referência para pensar a educação, a cultura e as relações humanas.
Por essa razão, A Jornada de Abiã com Oxum não apresenta Oxum como objeto de devoção, mas como uma chave cultural e filosófica para refletir sobre valores que atravessam diferentes sociedades: o cuidado com a vida, a importância da memória, a construção coletiva do conhecimento e o reconhecimento da diversidade como fundamento da experiência humana.
Atividade
Desenhar: "Como seria um rio que guarda memórias?"
3. ÁGUAS QUE CONTAM HISTÓRIAS
Em muitas filosofias africanas e afro-brasileiras, o conhecimento é compreendido como resultado de encontros, trocas e relações coletivas. Ninguém aprende sozinho. Aprendemos com nossas famílias, com nossas comunidades, com os livros, com as experiências vividas e com aqueles que vieram antes de nós. Ao observar o percurso de um rio, podemos refletir sobre nossa própria trajetória de vida e sobre os caminhos pelos quais os saberes circulam entre as gerações.
3.1 A Nascente: Onde Tudo Começa
Todo rio possui uma nascente. É o lugar onde suas águas começam a surgir. Em nossas vidas, a nascente pode representar os primeiros aprendizados: a família, a comunidade, os amigos, a escola e os lugares onde crescemos.
Para conversar com a turma:
Quais foram as primeiras coisas importantes que você aprendeu?
Quem ensinou essas coisas?
Como os conhecimentos chegam até nós?
3.2 Os Afluentes: Os Encontros que Nos Transformam
Ao longo do caminho, muitos outros rios e córregos se unem ao rio principal. São os afluentes. Da mesma forma, ao longo da vida encontramos novas pessoas, histórias e experiências que ampliam nossa maneira de compreender o mundo.
Para conversar com a turma:
Quem são as pessoas que ajudam você a aprender coisas novas?
O que podemos aprender com pessoas mais velhas?
O que podemos aprender com pessoas da nossa idade?
3.3 O Percurso: Aprender é Estar em Movimento
As águas de um rio nunca permanecem paradas. Elas seguem seu caminho, contornam obstáculos, atravessam diferentes paisagens e continuam sua jornada. O conhecimento também está em constante transformação. Aprender significa observar, experimentar, escutar, refletir e compartilhar.
Para conversar com a turma:
Você já mudou de opinião sobre alguma coisa depois de aprender algo novo?
Como as experiências transformam quem somos?
3.4 O Encontro com o Mar: Compartilhar Saberes
Ao final de seu percurso, muitos rios encontram o mar. Nesse encontro, suas águas passam a fazer parte de algo ainda maior. Assim também acontece com os conhecimentos. Quando compartilhamos aquilo que aprendemos, contribuímos para a construção de novos aprendizados coletivos.
Para conversar com a turma:
O que você gosta de ensinar para outras pessoas?
Que conhecimentos você gostaria de compartilhar com sua comunidade?
Proposta de Atividade
Desenhando o Rio das Memórias
Convide cada estudante a desenhar um rio. Na nascente, eles podem registrar pessoas, lugares ou experiências importantes para seus primeiros aprendizados. Nos afluentes, podem representar encontros que ampliaram seus conhecimentos. Ao longo do percurso, podem indicar momentos marcantes de suas vidas. No encontro com o mar, podem registrar sonhos, desejos e conhecimentos que gostariam de compartilhar com outras pessoas. Ao final, promova uma roda de conversa para que os estudantes apresentem seus rios e reflitam sobre os diferentes caminhos pelos quais construímos nossas histórias e aprendizados.
Diálogo com o espetáculo: Durante a apresentação, observe como as águas doces aparecem na dança, na cenografia, na musicalidade e nas histórias contadas pelos personagens. De que forma o rio também pode ser compreendido como uma metáfora para a memória, a ancestralidade e a construção coletiva do conhecimento?
Atividade interdisciplinar
Geografia + Arte
Mapa afetivo dos rios da cidade.
Perguntas:
Existe rio perto da sua casa?
Você conhece sua história?
Como cuidamos das águas?
4. A CENA COMO ESPAÇO DE MEMÓRIA
No espetáculo, os objetos não aparecem apenas para compor uma ambientação visual. Cada elemento integra a narrativa e participa da construção dos sentidos da obra. A areia remete aos caminhos percorridos pelos personagens e às marcas deixadas pelas experiências ao longo da vida. As esteiras evocam práticas comunitárias de encontro, acolhimento e transmissão de saberes. O abebé, associado a Oxum, convida à reflexão sobre identidade, autoconhecimento e reconhecimento de si. Os alguidares remetem às relações de cuidado, partilha e convivência coletiva. Os instrumentos sonoros — como o pau de chuva, os guizos e os chocalhos — reforçam a dimensão sensorial da cena, articulando sons da água, da natureza e da musicalidade afro-brasileira.
A presença desses elementos dialoga com a compreensão de que objetos também carregam memórias, histórias e conhecimentos produzidos por diferentes comunidades ao longo do tempo.
Para conversar com a turma:
Areia: Território de passagem. Marcas. Pegadas. Memórias.
Esteiras: Arquiteturas de acolhimento. Proteção. Comunidade.
Lustres de palha da costa: Símbolos de continuidade e tecnologia ancestral. Arte manual.
Abebé: Espelho da alma. Autoconhecimento. Memória. Reflexão.
Alguidar: Água. Purificação. Cuidado. Coletividade.
Instrumentos: Pau de chuva. Guizos. Chocalhos. Tríade: cantar-dançar-batucar (Ligiéro, 2011).
5. O CORPO COMO LUGAR DE CONHECIMENTO
Em muitas culturas africanas e afro-brasileiras, o conhecimento não é transmitido apenas por meio da escrita ou da fala. O corpo também guarda memórias, histórias, experiências e saberes construídos ao longo das gerações. Dançar, cantar, brincar, observar e participar da vida comunitária são formas de aprender e compartilhar conhecimentos.
Para refletir com a turma:
O que o nosso corpo aprende que nem sempre está nos livros?
Como a dança, a música e as brincadeiras podem ensinar algo?
Quais memórias e histórias carregamos em nossos gestos e modos de viver?
Diálogo com o espetáculo: Observe como os personagens aprendem através do movimento, da música, da observação e da convivência. De que maneira o corpo também se torna um espaço de descoberta e construção de conhecimento?
Atividade
Cada criança cria:
um gesto de alegria;
um gesto de cuidado;
um gesto de memória.
Depois compartilhar com a turma.
6. LEI 10.639/03
A educação brasileira tem o compromisso de valorizar a diversidade cultural que constitui a sociedade e de promover o reconhecimento das contribuições dos diferentes povos que participaram da formação do país. Nesse contexto, a Lei nº 10.639/03 representa um importante marco para a educação nacional ao tornar obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em todas as escolas de Educação Básica.
A legislação foi criada com o objetivo de enfrentar processos históricos de invisibilização das populações negras nos currículos escolares, ampliando o acesso dos estudantes aos conhecimentos produzidos pelos povos africanos e afro-brasileiros nas áreas da arte, filosofia, ciência, literatura, história, música, dança e organização social.
Posteriormente, a Lei nº 11.645/08 ampliou esse compromisso ao incluir também a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura dos Povos Indígenas, fortalecendo uma educação comprometida com a diversidade cultural brasileira.
Essas legislações são acompanhadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, documento que orienta as escolas na construção de práticas pedagógicas voltadas para o reconhecimento da pluralidade cultural, o combate ao racismo e a valorização das contribuições históricas e contemporâneas das populações negras e indígenas.
Nesse sentido, trabalhar com referências afro-brasileiras na escola não significa abordar apenas a escravidão ou as desigualdades raciais. Significa também apresentar conhecimentos, tecnologias, filosofias, manifestações artísticas, formas de organização comunitária, tradições culturais e experiências históricas produzidas por povos africanos e afro-brasileiros ao longo do tempo.
O espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum dialoga com esses princípios ao apresentar às crianças elementos das culturas afro-brasileiras por meio da dança, da musicalidade, da oralidade, da ancestralidade e das narrativas afrorreferenciadas. A obra contribui para a ampliação dos repertórios culturais dos estudantes, fortalecendo práticas educativas comprometidas com a valorização da diversidade, o respeito às diferenças e a construção de uma sociedade mais democrática e plural.
Base Legal
Lei nº 10.639/03 - Altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
Lei nº 11.645/08 - Amplia a Lei nº 10.639/03, incluindo a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura dos Povos Indígenas.
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais (2004) - Orientam a implementação de práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade étnico-racial e ao combate ao racismo no ambiente escolar.
Para refletir com a turma
Por que é importante conhecer diferentes culturas que contribuíram para a formação do Brasil?
O que aprendemos sobre a África e sobre as culturas afro-brasileiras na escola?
Como a arte pode ajudar a conhecer histórias e conhecimentos que nem sempre aparecem nos livros didáticos?
De que forma o respeito à diversidade contribui para uma convivência mais justa e democrática?
Diálogo com o espetáculo
Ao assistir A Jornada de Abiã com Oxum, observe como a dança, a música, a cenografia e as histórias apresentadas na cena dialogam com saberes afro-brasileiros. Como essas referências ampliam nossa compreensão sobre a diversidade cultural presente na sociedade brasileira?
7. ANTES DO ESPETÁCULO
Preparação em sala
Roda de conversa
O que é ancestralidade?
O que é memória?
O que aprendemos com nossas famílias?
Escuta sonora
Ouvir: água correndo; chuva; vento; pássaros.
Perguntar: Como esses sons fazem vocês se sentirem?
Produção artística
Construir um rio coletivo em papel kraft.
8. DURANTE O ESPETÁCULO
Focos de observação
Observar: movimentos; sons; objetos; luzes; cores.
Perguntas:
Onde aparece a água?
Como a dança mostra sentimentos?
O que os espelhos representam?
9. APÓS O ESPETÁCULO
Conversa coletiva
O que mais chamou atenção?
Qual cena ficou na memória?
Qual objeto foi mais importante?
Produção escrita
Escrever: “Uma memória que eu guardaria dentro de um rio."
Produção artística
Criar: abebés; rios; peixes; instrumentos sonoros recicláveis.
10. Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
As propostas apresentadas neste caderno foram elaboradas de modo a dialogar com competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), possibilitando que educadores articulem a experiência estética do espetáculo com diferentes componentes curriculares dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Artes
EF15AR01 – Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais, da dança, da música e do teatro.
EF15AR04 – Experimentar diferentes formas de expressão artística.
EF15AR08 – Dialogar sobre experiências pessoais e coletivas vivenciadas em práticas artísticas.
História
EF04HI08 – Identificar formas de organização social e cultural presentes na constituição da sociedade brasileira.
EF05HI04 – Associar a noção de cidadania ao respeito à diversidade cultural e aos direitos humanos.
Geografia
EF04GE11 – Identificar características dos cursos d'água e compreender sua importância para a vida das populações.
EF05GE10 – Reconhecer a importância da preservação dos recursos hídricos e ambientais.
Língua Portuguesa
EF35LP25 – Participar de situações de escuta e produção oral em diferentes contextos.
EF35LP26 – Produzir relatos, narrativas e registros de experiências pessoais e coletivas.
Ciências
EF03CI07 – Identificar características da água e discutir sua importância para os seres vivos.
EF04CI03 – Reconhecer a água como recurso essencial para a manutenção da vida.
EF05CI02 – Discutir ações individuais e coletivas voltadas à preservação ambiental.
EF05CI04 – Compreender relações entre natureza, qualidade de vida e sustentabilidade.
Educação Física
EF35EF01 – Experimentar e recriar diferentes brincadeiras, jogos e práticas corporais.
EF35EF03 – Identificar e valorizar manifestações da cultura corporal presentes em diferentes grupos sociais.
EF35EF09 – Reconhecer práticas corporais como formas de expressão cultural e construção de identidades.
Ensino Religioso (perspectiva não confessional)
EF04ER01 – Identificar diferentes formas de organização das tradições culturais presentes na sociedade.
EF04ER02 – Reconhecer manifestações culturais relacionadas às diferentes matrizes formadoras do povo brasileiro.
EF05ER01 – Valorizar a diversidade de saberes, tradições e modos de viver presentes nas comunidades.
EF05ER02 – Promover o respeito às diferenças culturais e o combate a preconceitos e discriminações.
Observação: O diálogo com o componente curricular de Ensino Religioso ocorre em perspectiva não confessional, conforme orientações da BNCC e das Diretrizes Curriculares Nacionais. O espetáculo não possui finalidade religiosa ou catequética, mas artística, cultural e educativa, contribuindo para a valorização da diversidade cultural brasileira e para a implementação da Lei nº 10.639/03.
11. PARA SABER MAIS
AUGRAS, Monique. O duplo e a metamorfose: a identidade mítica em comunidades nagô. Petrópolis: Vozes, 2008.
BÂ, Amadou Hampâté. A tradição viva. In: KI-ZERBO, Joseph (org.). História geral da África I: metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília, DF: UNESCO, 2010. p. 167-212.
BRASIL. Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. Brasília, DF: Ministério da Educação; Conselho Nacional de Educação, 2004.
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 10 jan. 2003.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 11 mar. 2008.
COSSARD-BINON, Gisèle. Contribuição ao estudo dos candomblés no Brasil: o culto aos orixás jeje-nagôs. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.
LIGIÉRO, Zeca. Corpo a corpo: estudo das performances brasileiras. Rio de Janeiro: Garamond, 2011.
LODY, Raul. O povo do santo: religião, história e cultura dos orixás, voduns, inquices e caboclos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
LODY, Raul. Tem dendê, tem axé: etnografia do dendezeiro. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o reinado do rosário no Jatobá. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2021.
OLIVEIRA, Eduardo David de. Filosofia da ancestralidade: corpo e mito na filosofia da educação brasileira. Curitiba: Gráfica Popular, 2007.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
RAMOS, Eurico. Entre o Orun e o Aiyê: a invenção do terreiro. Salvador: EDUFBA, 2011.
ROCHA, Aline Matos da. Oxunismo: contribuições de Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí para pensar maternidade, comunidade e filosofia africana. 2023. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade de Brasília, Brasília, 2023.
SANTANA, Tiganá. A cosmologia africana dos bantu-kongo por Bunseki Fu-Kiau: tradução negra, reflexões e diálogos a partir do Brasil. Salvador: Dandara, 2019.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora; PISEAGRAMA, 2023.
SILVA, Maicom Souza. Epistemologia do Corpo Negro: uma percepção capixaba da dança cênica negro-brasileira. 2022. Dissertação (Mestrado em Metafísica) – Universidade de Brasília, 2022.
TEIXEIRA, Anderson Rodrigues. O abiã é o começo, o pé da história: performances do noviciado no(s) candomblé(s). 2018. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.
VAN GENNEP, Arnold. Os ritos de passagem. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
VOGEL, Arno; MELLO, Marco Antonio da Silva; BARROS, José Flávio Pessoa de. A galinha-d'angola: iniciação e identidade na cultura afro-brasileira. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
VOGEL, Arno; MELLO, Marco Antonio da Silva; BARROS, José Flávio Pessoa de. A descoberta do saber: iniciação e identidade no candomblé. Rio de Janeiro: Pallas, 2007.
Realização
Projeto contemplado no Edital nº 10/2024 – Seleção de Projetos de Artes Cênicas no Espírito Santo.
Produção
Espaço Cultural Emaranhado
Coletivo Emaranhado
Projeto
A Jornada de Abiã com Oxum
Caderno Pedagógico
Texto e organização pedagógica: Maicom Souza
Consultoria artística: Ricardo Reis
Projeto gráfico: Nina Almeida e Ricardo Reis
Produção executiva: Lais Loyola
Sobre o Coletivo Emaranhado
O Coletivo Emaranhado desenvolve ações artísticas, pedagógicas e de pesquisa voltadas à valorização das culturas afro-brasileiras, das corporeidades negras e das poéticas da ancestralidade. Atuando nas áreas da dança, educação e produção cultural, o coletivo desenvolve espetáculos, oficinas, ações formativas e projetos de mediação artística destinados a diferentes públicos.
Por meio da arte, busca fortalecer processos educativos comprometidos com a diversidade cultural, a educação antirracista e a ampliação do acesso às produções artísticas afrorreferenciadas.
Contato:
(27) 3500-0906
Palavras Finais
Que este caderno possa continuar a travessia iniciada pelo espetáculo. Assim como os rios seguem seus caminhos levando memórias, encontros e aprendizagens, desejamos que as experiências vividas com A Jornada de Abiã com Oxum permaneçam circulando entre estudantes, educadores, famílias e comunidades.
Que as águas de Oxum inspirem práticas educativas comprometidas com o cuidado, a diversidade, a imaginação e o reconhecimento das múltiplas histórias que constituem o Brasil.

Comentários
Postar um comentário