Segunda apresentação de A Jornada de Abiã com Oxum: juventude, leitura e formação crítica
No dia 24 de junho de 2026, às 14h30, o Espaço Cultural Emaranhado recebeu a segunda sessão do espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum. Desta vez, tivemos a alegria de acolher estudantes da EEEFM Terra Vermelha, em uma atividade organizada pela professora de Ciências Sociais Jaiara Dias, responsável por conduzir importantes ações voltadas à formação crítica na escola.
Participaram da atividade estudantes de dois coletivos que atuam na instituição: o Coletivo de Artes Cênicas e o Coletivo Antirracista, grupos que integram a eletiva desenvolvida pela escola e que têm contribuído para fortalecer espaços de diálogo, criação artística e reflexão sobre questões sociais contemporâneas.
Receber essa turma foi especialmente significativo para o Coletivo Emaranhado. Encontrar jovens que já chegam mobilizados por experiências com a arte, pela discussão das relações étnico-raciais e pelo compromisso com a construção de uma educação crítica ampliou ainda mais as possibilidades de troca durante todo o encontro.
Após a apresentação, realizamos uma roda de conversa marcada pela participação ativa dos estudantes. O diálogo ultrapassou as questões relacionadas à cena e alcançou temas fundamentais para a formação da juventude, como o papel da leitura na construção da autonomia intelectual, da consciência crítica e da emancipação social.
Falamos sobre os livros como espaços de encontro com outras formas de pensar o mundo, mas também como instrumentos de disputa por narrativas. Para a população negra, periférica e para aqueles que historicamente tiveram seu acesso ao conhecimento limitado por diferentes processos de exclusão, a leitura representa muito mais do que o desenvolvimento de uma habilidade escolar. Ler é ampliar repertórios, reconhecer a própria história, produzir pensamento e ocupar espaços que, durante muito tempo, foram negados às nossas comunidades.
A conversa também reafirmou que o conhecimento é uma forma de poder. Quanto mais acessamos nossas histórias, nossas produções intelectuais e nossas referências culturais, maiores são as possibilidades de construir novos horizontes de existência. Nesse sentido, a arte e a leitura caminham juntas como práticas que ampliam a imaginação, fortalecem a autoestima coletiva e produzem outras maneiras de compreender a realidade.
Momentos como esse reforçam aquilo que orienta o trabalho do Coletivo Emaranhado: compreender que o espetáculo não se encerra quando as luzes da cena se apagam. Ele continua nas conversas, nas perguntas, nos afetos compartilhados e nas reflexões que permanecem ecoando entre os participantes. Cada roda de conversa torna-se uma extensão da experiência artística, transformando o encontro em um espaço de escuta, formação e produção coletiva de conhecimento.
Agradecemos à professora Jaiara Dias, à direção da EEEFM Terra Vermelha e, sobretudo, aos estudantes dos coletivos presentes, pela disponibilidade para o diálogo e pela potência das reflexões compartilhadas. Seguimos acreditando que a arte, quando encontra uma juventude curiosa, crítica e comprometida com a transformação social, amplia sua capacidade de produzir deslocamentos, fortalecer vínculos e abrir caminhos para imaginar outros futuros possíveis.
Apresentação do espetáculo - 24/06/2026
https://www.youtube.com/watch?v=LjHZPptuPxU
Roda de conversa - 12/06/2026
https://www.youtube.com/watch?v=BCi-C2QrWDs

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