Terceira apresentação de A Jornada de Abiã com Oxum: quando a cena se transforma em encontro
No dia 25 de junho de 2026, às 9 horas da manhã, o Espaço Cultural Emaranhado recebeu os estudantes da EEEF Manoel Lopes, do município da Serra/ES, para a terceira apresentação do espetáculo A Jornada de Abiã com Oxum. A atividade foi organizada pelas professoras Camila Filgueira (Artes), Marcileia Lucht (Educação Especial) e Sirleia Rocha Lube (Língua Portuguesa), que proporcionaram aos estudantes uma manhã dedicada ao encontro entre arte, educação e cultura afro-brasileira.
Além da apresentação, realizamos uma roda de conversa e uma oficina de dança afro-brasileira com os estudantes, com idades entre 12 e 15 anos. Ao longo da manhã, foi possível construir um ambiente de diálogo, escuta e participação, no qual os jovens compartilharam perguntas, percepções e reflexões sobre os temas mobilizados pela obra.
A roda de conversa revelou o interesse da turma em compreender os elementos presentes na cena, as referências às culturas afro-brasileiras e os processos de criação artística. As perguntas surgiram de maneira espontânea e abriram espaço para conversas sobre ancestralidade, identidade, pertencimento e a importância da arte como linguagem capaz de produzir conhecimento e ampliar repertórios.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu ao final da atividade. Sentindo-se acolhidos pelo espaço e pela experiência compartilhada, muitos estudantes passaram, naturalmente, a ocupar o cenário. Alguns quiseram dançar, outros apresentaram movimentos que já desenvolviam, cantaram, mostraram habilidades musicais e dividiram com o grupo suas próprias formas de expressão artística. Sem que isso estivesse previsto, o cenário deixou de ser apenas o lugar da apresentação para tornar-se um espaço de criação coletiva, onde a arte continuou acontecendo a partir das iniciativas dos próprios participantes.
Esse movimento reafirma um dos princípios que orientam o trabalho do Coletivo Emaranhado: compreender que a experiência artística não se limita ao tempo da apresentação. Quando o público se reconhece na cena e sente liberdade para ocupar esse espaço com sua própria criatividade, novos processos de aprendizagem e produção de sentido se tornam possíveis.
A oficina de dança afro-brasileira ampliou essa experiência ao permitir que os estudantes vivenciassem corporalmente algumas das gestualidades presentes na cultura negro-brasileira. Mais do que reproduzir movimentos, a atividade buscou despertar a percepção do corpo como lugar de memória, comunicação e criação, fortalecendo uma relação sensível com diferentes formas de produzir conhecimento por meio da arte.
Disponibilizamos, nesta publicação, os registros em vídeo da apresentação e da roda de conversa. Esperamos que essas imagens possam compartilhar um pouco da potência desse encontro, que reafirma o compromisso do Espaço Cultural Emaranhado com a construção de ações artísticas, pedagógicas e afrorreferenciadas capazes de promover experiências de diálogo, participação e emancipação por meio da arte.
Apresentação do espetáculo - 25/06/2026
https://youtu.be/_vhRjazMytM
Roda de conversa - 25/06/2026
https://youtu.be/jZz1UvLeUeI

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