Bloco I — Guerra
O primeiro bloco dramatúrgico, denominado Guerra, possui a função de introduzir o público ao universo simbólico do espetáculo. Trata-se de um ritual de aproximação entre espectadores, intérpretes, sonoridades e temas que serão desenvolvidos ao longo da obra.
A abertura ocorre por meio de um áudio autoral gravado em estúdio, responsável por contextualizar poeticamente a narrativa. Em seguida, as músicas selecionadas constroem uma atmosfera de deslocamento, enfrentamento e transformação. As composições acionam imagens relacionadas à resistência, à travessia e à busca por conhecimento.
Nesse bloco, a ideia de guerra não se refere exclusivamente ao conflito físico, mas aos processos históricos de luta pela preservação dos saberes negros, pela afirmação das ancestralidades afro-diaspóricas e pela emancipação epistemológica de corpos historicamente silenciados. A movimentação coreográfica intensa, associada à dramaturgia sonora, produz um campo simbólico de enfrentamento e reconstrução.
O encerramento do bloco ocorre por meio de um ritual com água e da execução ao vivo da canção Abiã, momento em que a cena desloca a energia do combate para uma dimensão de acolhimento e preparação para os aprendizados seguintes.

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