Bloco II — Brincadeira
O segundo bloco dramatúrgico do espetáculo, denominado Brincadeira, desloca o foco das tensões e enfrentamentos apresentados no bloco anterior para uma dimensão lúdica da experiência humana. Neste momento da narrativa, o brincar é compreendido não apenas como entretenimento, mas como uma forma de conhecimento, transmissão cultural e construção de vínculos comunitários.
As músicas que compõem este bloco mobilizam diferentes sonoridades africanas, negro-brasileiras e populares, criando um ambiente de celebração, movimento e interação. A trilha sonora estabelece um diálogo direto com jogos corporais, brincadeiras tradicionais e proposições cênicas desenvolvidas pelos intérpretes, aproximando o público de experiências compartilhadas da infância.
As cenas são construídas a partir de brincadeiras já conhecidas em diferentes contextos culturais e também de jogos criados especificamente para o espetáculo. Dessa forma, a dramaturgia busca evidenciar o brincar como uma tecnologia ancestral de aprendizagem, por meio da qual valores, memórias, modos de convivência e formas de perceber o mundo são transmitidos entre gerações.
Nesse bloco, a criança ocupa uma posição central como produtora de conhecimento. As ações corporais, os cantos, as danças e as interações cênicas revelam que a formação dos Abiãs não acontece apenas por meio da escuta dos mais velhos ou da participação em rituais, mas também através da experiência sensível, do jogo, da imaginação e da coletividade.
Ao trazer brincadeiras para o centro da cena, o espetáculo reafirma a importância dos saberes cotidianos e das práticas culturais transmitidas oralmente, reconhecendo a infância como um território legítimo de construção de conhecimento e fortalecimento identitário.
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