Bloco III — Sagracional
O terceiro bloco dramatúrgico, denominado Sagracional, constitui o momento de aprofundamento dos saberes ancestrais que atravessam toda a trajetória dos Abiãs. O termo foi concebido para expressar a indissociabilidade entre o sagrado e a experiência cotidiana, compreendendo que os conhecimentos produzidos nas comunidades afro-brasileiras não se restringem aos espaços ritualísticos, mas permeiam modos de viver, cuidar, aprender e existir no mundo.
A trilha sonora deste bloco é composta por pontos cantados, louvações, instrumentais e registros sonoros que evocam a presença de Oxum e os saberes relacionados às águas doces. As sonoridades criam uma atmosfera de recolhimento, escuta e contemplação, conduzindo o público para uma experiência que articula espiritualidade, memória e pertencimento.
As cenas dialogam com conhecimentos presentes nos terreiros de candomblé, nas tradições orais e nas práticas comunitárias afro-brasileiras. A dramaturgia não busca representar rituais religiosos específicos, mas aproximar o público de princípios filosóficos e éticos relacionados ao cuidado, à ancestralidade, à coletividade e à relação respeitosa com a natureza.
Nesse contexto, Oxum emerge como referência simbólica para a construção da cena. Associada às águas doces, à fertilidade, à beleza, ao acolhimento e à sabedoria, sua presença atravessa os movimentos, os textos, as músicas e as imagens que compõem o espetáculo.
O bloco finaliza a trajetória dos Abiãs apresentando a aprendizagem não como um destino alcançado, mas como um caminho contínuo de construção de conhecimento. Os saberes ancestrais aparecem, assim, como práticas vivas, constantemente atualizadas nas relações entre corpo, memória, território e comunidade.

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